
Em seu evento global de apresentação dos planos de investimentos até 2030 para investidores, a Stellantis chamou a atenção por não fazer nenhuma menção a Peugeot e Citroën em sua estratégia traçada para o Brasil. A ausência gerou uma série de dúvidas sobre o futuro das duas marcas francesas em nosso mercado.
Em conversa com jornalistas na noite da última quarta-feira (8), o presidente da Stellantis na América do Sul, Hernander Zola, afirmou que há planos tanto para Peugeot quanto para Citroën no Brasil, especialmente porque ambas “têm muita força em outros mercados da América do Sul”. O futuro das duas está diretamente ligado a um novo acordo com a chinesa Dongfeng para compartilhamento de plataforma e desenvolvimento conjunto de novos produtos voltados à região.
Na entrevista, o executivo admitiu erros na condução das duas operações e prometeu um reposicionamento completo. Segundo Zola, tanto Peugeot quanto Citroën serão transformadas em marcas de “nicho” no mercado brasileiro. A Peugeot, em específico, vai ocupar um posicionamento mais “premium”, segundo o executivo, com foco em produtos de menor volume e maior valor agregado. Já o novo direcionamento da Citroën não foi detalhado pelo presidente.
“Quando formamos a Stellantis, tivemos que seguir com muitos planos para as marcas Peugeot e Citroën que já estavam traçados antes e não tinham mais como ser desfeitos, como diversos investimentos em novas plataformas e produtos. Até fizemos diversas adaptações, mas, naquela época, a lógica das duas marcas era competir com a Fiat. Hoje, percebemos que essa concorrência não faz mais sentido. Estamos buscando uma complementariedade de portfólio”, explicou Hernander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul.
A fala de Zola deixa claro que Citroën e Peugeot devem abandonar o segmento de carros de entrada, o que significa um fim de linha iminente para toda a atual gama de produtos produzidos na região, como os Citroën C3, Aircross e Basalt, fabricados em Porto Real (RJ), e os Peugeot 208 e 2008, feitos em El Palomar (Argentina). “Claro que isso não acontecerá da noite para o dia. É um processo que levará alguns anos. Primeiro, os produtos precisam ao menos ‘pagar’ os investimentos feitos”, comentou.
Citroën Basalt linha de produção fábrica Porto Real (RJ): família C-Cubed deve ser descontinuada nos próximos anos
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Ainda de acordo com Zola, uma das decisões mais críticas tomadas a respeito da Peugeot foi a transferência total de produção da marca para a Argentina. “Essa decisão foi tomada em outro contexto de mercado e da relação comercial entre Brasil e Argentina, mas deixou a operação muito limitada”, explicou.
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Autoesporte entende que uma das soluções já definidas será voltar a produzir pelo menos um carro da Peugeot no Brasil. E é aí que entra na jogada a Dongfeng (que, por aqui, ficará conhecida como DFM, conforme revelado em primeira mão por nossa reportagem).
Peugeot Concept 6 e Concept 8 são os primeiros produtos da marca frutos de parceria com a DFM. Outros serão desenvolvidos com foco no Brasil
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O presidente da Stellantis na América do Sul foi enfático ao dizer que haverá uma parceria entre as duas fabricantes para desenvolver novos produtos voltados ao Brasil, e que as maiores beneficiárias desse projeto serão as marcas Citroën e, especialmente, a Peugeot.
“Ainda não sei se essa cooperação vai envolver produção conjunta [no Brasil], mas o que posso afirmar categoricamente é que teremos produtos Peugeot e Citroën desenvolvidos com plataforma e participação da Dongfeng”, enfatizou.
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Esses produtos não necessariamente serão os Peugeot Concept 6 e Concept 8 apresentados no Salão de Pequim 2026, mas sim produtos desenvolvidos especificamente para nossa região, usando plataforma da Dongfeng e com provável fabricação local.
Segundo o site Autos Segredos, há em desenvolvimento uma nova geração do SUV médio Peugeot 3008 em desenvolvimento para produção em Goiana (PE) a partir de 2030. Entretanto, ainda não está claro se esse produto já se aproveitará da base técnica chinesa ou se ainda usará a plataforma STLA Medium das novas gerações dos Jeep Renegade, Compass e Commander.
Um caminho ainda mais possível é que a parceria técnica entre Stellantis e Dongfeng gere novos produtos a serem fabricados em Porto Real (RJ), no lugar dos atuais Citroën de baixo custo produzidos lá.
Stellantis negocia vender à Dongfeng sua antiga fábrica de motores em Campo Largo (PR)
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A esse respeito, Zola também admitiu que a Stellantis estuda produzir carros com emblema da própria DFM em suas fábricas. O executivo não deu detalhes, mas Autoesporte revelou recentemente que a empresa chinesa também negocia comprar a extinta fábrica de motores de Campo Largo (PR).
Além da Stellantis, a chinesa negocia uma possível produção conjunta com a Nissan. Segundo Zola, sua companhia não vai aceitar uma parceria de via tripla. “Ou a Dongfeng vai produzir com a gente, ou com a Nissan. Com as duas simultaneamente eu acho praticamente impossível”, resumiu.
Além dos planos para Peugeot e Citroën, o plano estratégico da Stellantis até 2030 para o Brasil, chamado Fastlane, prevê: uma nova geração do Fiat Argo; três novos SUVs da marca Fiat (novos Pulse e Fastback, e um inédito de sete lugares); novas gerações dos Jeep Renegade, Compass e Commander; novas gerações das picapes Fiat Strada, Fiat Toro e Ram Rampage; e uma inédita motorização híbrida plena (HEV) flex. Confira a lista completa aqui.
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Reposicionamento Estratégico da Stellantis para Peugeot e Citroën
A Stellantis está redefinindo o futuro de Peugeot e Citroën no Brasil, após admitir que a estratégia inicial, que as colocava para competir com a Fiat no segmento de entrada, não fazia mais sentido. O presidente da Stellantis na América do Sul, Hernander Zola, explicou que a intenção é buscar uma complementariedade de portfólio. A Peugeot, em particular, passará por uma transformação para se tornar uma marca de nicho com posicionamento “premium”, focando em produtos de menor volume e maior valor agregado. Embora o direcionamento exato da Citroën não tenha sido detalhado, seguirá a mesma lógica de reposicionamento. Zola ressaltou que planos anteriores dificultaram mudanças imediatas, mas o novo caminho já está traçado.
Este novo foco implica o fim gradual da atual linha de veículos produzidos na região. Modelos como os Citroën C3, Aircross e Basalt, fabricados em Porto Real (RJ), e os Peugeot 208 e 2008, feitos em El Palomar (Argentina), serão descontinuados nos próximos anos. A Stellantis assegura que isso ocorrerá progressivamente, após os investimentos nesses produtos terem sido amortizados.
A Parceria Chinesa: Dongfeng (DFM) no Jogo
Uma das peças-chave nesse reposicionamento é a nova parceria com a montadora chinesa Dongfeng, que será introduzida no Brasil como DFM. A Stellantis e a DFM desenvolverão novos produtos em conjunto, com Peugeot e Citroën sendo as principais beneficiárias dessa colaboração. Zola afirmou categoricamente que haverá carros Peugeot e Citroën desenvolvidos com plataforma e participação da Dongfeng, e que a fabricação local no Brasil é uma forte possibilidade. Isso marca uma mudança, com a Stellantis estudando voltar a produzir pelo menos um carro da Peugeot no Brasil, revertendo a decisão anterior de concentrar a produção da marca na Argentina.
Os produtos resultantes dessa parceria não serão necessariamente os conceitos Peugeot 6 e 8 já apresentados, mas sim modelos desenvolvidos especificamente para o mercado sul-americano, utilizando bases técnicas da DFM. Existem especulações sobre a produção de um novo Peugeot 3008 em Goiana (PE) ou o uso da fábrica de Porto Real (RJ) para veículos com plataformas chinesas, substituindo os atuais Citroën de baixo custo. A Stellantis também negocia a venda de sua antiga fábrica de motores em Campo Largo (PR) para a DFM e avalia a produção de carros com emblema DFM em suas próprias plantas, mas descarta uma parceria tripla da Dongfeng com a Nissan na região.
Implicações para o Consumidor e o Mercado
Para o consumidor brasileiro, o reposicionamento de Peugeot e Citroën significa uma mudança significativa na oferta de produtos. Aqueles que buscam veículos de entrada dessas marcas precisarão considerar outras opções no mercado ou dentro do próprio grupo Stellantis, como os modelos Fiat. A Peugeot buscará atrair um público que valoriza maior exclusividade, design e tecnologia, com um posicionamento claramente mais “premium”. O processo de transição será gradual e levará alguns anos, até que os modelos atuais cumpram seu ciclo de vida. O mercado automotivo brasileiro, por sua vez, verá a chegada de novos veículos com base tecnológica chinesa e a consolidação de novas parcerias, otimizando o portfólio da Stellantis e evitando a canibalização interna entre suas diversas marcas.
Fonte: Auto Esporte
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