
Existem, no mundo, alguns carros cuja imagem – ou fama – está estabelecida. Nomes como Ferrari, Mercedes-Benz e BMW evocam logo características de desempenho, esportividade e qualidade. A marca Volvo, contudo, traz junto um inabalável conceito de resistência e segurança passiva. Estatísticas suecas e alemãs revelam que um Volvo dura 12 anos em média, praticamente o dobro do que ocorre em outras partes do mundo.
Mas nem todo mundo é fanático pela marca número 1 da Suécia. Alguns, em tom pejorativo, afirmam que o automóvel Volvo seria “o caminhão mais veloz do mundo”.
Nas curvas mais ousadas o sedã tende a sair de frente
Autoesporte/Acervo MIAU
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Em 1982 a Volvo lançou seu modelo 760, um sedã grande por fora e por dentro, com acabamento de alto luxo. O melhor motor oferecido era um V6, de alumínio, desenvolvido em conjunto com a Peugeot e a Renault (para diminuir custos). O carro podia ser equipado com câmbio manual de quatro marchas ou automático de três, com overdrive nos dois casos.
Painel completo e de excelente visualização dos mostradores
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Mas o estilo do 760 era muito tradicional e pesado. Os 2.849 cm3 do motor só produziam 156 cv, e os 24 mkgf de torque e não eram suficientes para dar agilidade ao carro. Oito anos mais tarde, em 1990, a Volvo reformulou o 760, rebatizou-o de 960, não antes de rever sua estrutura (ficou ainda mais forte!), redesenhar o teto e o perfil do porta-malas, levando sua tampa até o nível do para-choque, e de desenhar um novo grupo ótico traseiro.
O melhor de tudo, porém, foi o novo motor de seis cilindros em linha, 73 cm3 maior, acoplado a uma nova transmissão automática. Esse motor é bem interessante. O bloco é feito em três “andares”: a seção central é o bloco propriamente dito, as capas dos mancais constituem uma estrutura única (para maior rigidez) e, no cabeçote, as capas dos mancais dos comandos ficam na própria tampa de válvulas. Bloco e cabeçote 24 válvulas são de alumínio, com camisas de ferro fundido encaixadas duas a duas de maneira siamesa, para menor comprimento do motor.
Motor 6 cilindros em linha gerava 204 cv de potência
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O curso dos pistões é bem maior que o diâmetro dos cilindros, garantia de bom torque. Seu valor máximo é 27,2 mkgf a 4.300 rpm, mas 22 mkgf já surgem a 1.000 rpm, havendo no mínimo 24,5 mkgf entre 2.900 e 6.000 rpm, estas correspondendo ao início da faixa vermelha. Injeção e ignição são controladas pelo sistema Bosch Motronic M 1.8, com uma bobina sobre cada vela.
Apesar dos 1.560 kg do 960, o torque do novo motor de seis cilindros em linha dá conta do recado. Com a transmissão automática em “D”, o carro vai de 0 a 100 km/h em 9,9 s e cobre o primeiro quilômetro em 31,3 s, boas marcas para um veículo ajustado às condições brasileiras. As retomadas de velocidade são mais expressivas ainda, levando o carro de 40 a 80 km/h em meros 5,4 s, de 60 a 100 km/h em 7,5 s e de 80 a 120 km/h em 7,7 segundos. Ao acelerar rapidamente ao máximo, porém, foi notada uma breve hesitação da transmissão na redução automática. A velocidade máxima conseguida na pista de testes foi de 205,7 km/h, apenas 5,3 km/h abaixo do indicado pelo fabricante, possivelmente em consequência da “tropicalização” levada a efeito pela fábrica, na Suécia.
Apesar de pesado, o 960 tinha desempenho interessante
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Todo esse desempenho num carro de uma tonelada e meia de peso resulta em um consumo de combustível algo acentuado, mas não exagerado. No percurso-padrão de cidade adotado por Autoesporte, o 960 fez 6,7 km/l e na estrada chegou a 10,7 km/l, trafegando em velocidade média de 100 km/h.
Um destaque nos Volvo grandes é a suspensão traseira independente, lançada ainda em 1988 nos 760. É do tipo ‘multiligação’, com braços transversais e longitudinais. No 960, recebeu barra estabilizadora e pequenos ajustes. A dianteira é McPherson, com braço triangular e barra estabilizadora. As duas suspensões trabalham em completa harmonia, especialmente nas curvas. De fato, é muito mais ágil do que se espera de um carro grande e pesado.
Na traseira o visual era conservador, mas agradável
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Ao girar o volante, uma pequena hesitação inicial, seguida de alguma inclinação da carroceria. Fazendo-se a curva devagar, nada além disso. Ao andar mais forte, a curva abre, isto é, o carro entra em subesterço (sai de frente), que pode se tornar pronunciado caso o acelerador seja mantido bem aberto. Mas é só tirar o pé no meio da curva para que a frente se recolha logo, sem problemas. Se houve exagero na velocidade de entrada, basta um leve toque no freio para que a traseira saia com docilidade, “apertando” a curva e voltando obedientemente à sua posição atrás das rodas dianteiras. Isso ocorre assim que os freios são liberados e o volante de direção é retornado ao centro.
Não é à toa que Volvo é sinônimo de segurança para o motorista comum; ao mesmo tempo, são essas características de tranquilidade que levam muitos “esportistas” a não entender o carro, considerando-o simplesmente chato. Nas retas, contudo, a estabilidade direcional do 960 é das melhores. Esse comportamento, na realidade, leva em conta os chamados fatores de desatenção, como um bocejo, espirro ou tosse. Para isso, a posição central do volante de direção não é afetada por pequenos movimentos não-intencionais (que causam a breve hesitação ao entrar numa curva).
O único defeito, que chegou a surpreender, foi uma fissura num disco de freio traseiro, que impediu o teste de frenagem.
: O 960 era a evolução natural do 760, fabricado até 1992
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Pode-se cobrir centenas de quilômetros por dia com o 960 sem o mínimo sinal de cansaço. As únicas interferências em velocidades de viagem são os ruídos de vento – o teto do 960 ainda tem calhas – e de pneus. O ótimo sistema de áudio, com alto-falantes distribuídos por todo o interior, ajuda bastante a mascarar esses ruídos perturbadores.
Um problema deste Volvo está nos bancos dianteiros. De bom aspecto, com odor agradável do revestimento de couro de primeira linha, dotados de acionamento elétrico em todas as direções, são muito planos e permitem que motorista e acompanhante deslizem lateralmente nas curvas apertadas ou tomadas rapidamente. Isso mesmo que a aceleração lateral extrema tenha alcançado um valor não muito bom (0,73 g).
Velocidade máxima no teste de AE superou os 200 km/h
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Sua ergonomia é quase perfeita. O volante é ajustável em altura, os pedais são muito bons, a visibilidade dos instrumentos é irrestrita e todos os comandos são alcançados sem dificuldade. A única obstrução para o motorista é o teto solar (que só inclina um terço de sua área), pois limita a altura para a cabeça.
O espaço interno, na frente, atrás e no porta-malas é o que deveria existir em todos os carros destinados à família. Mesmo que o motorista meça 1,90 m de altura, outro de mesma estatura encontra acomodação fácil atrás dele. Uma característica incomum é o descansa-braço central do banco traseiro que, quando abaixado, serve também como banco para crianças de três a seis anos, tendo cinto de três pontos.
Muito conforto e espaço interno para uma família sueca
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O Volvo 960 é concorrente direto de carros caros como o Mercedes-Benz 300, o BMW 730i e de outros um pouco mais baratos como o Citroën XM, o Peugeot 605, o Renault Safrane e o Ford Scorpio, entre outros. Os Mercedes e BMW vendem prestígio, qualidade e cobram extra por equipamentos e acessórios; outros vêm extensamente equipados, para compensar a falta de prestígio. O 960 não deve nada à concorrência e, por isso, é um caso a se pensar.
Resultado dos testes
Consumo (km/l)
Aceleração (s)
Retomada de velocidade (s)
Aceleração lateral (g)
Velocidade máxima (km/h)
Ficha Técnica
Ficha técnica
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Volvo 960: O Sedã de Luxo Sueco que Desafiou Mercedes e BMW

Volvo 960: A Ousadia Sueca no Segmento de Luxo
A Volvo, tradicionalmente associada à robustez e segurança, ousou desafiar a hegemonia de marcas como Mercedes-Benz e BMW no concorrido mercado de sedãs de luxo com o 960. Lançado em 1990 como uma evolução refinada do modelo 760 de 1982, o 960 não só manteve a lendária resistência sueca, mas aprimorou significativamente sua mecânica e conforto. Apesar de alguns críticos o apelidarem de "o caminhão mais veloz do mundo" devido à sua robustez, o 960 se destacava por uma proposta equilibrada de sofisticação e engenharia inteligente. Sua estrutura foi reforçada, e o design recebeu retoques importantes, como o teto redesenhado e um novo conjunto ótico traseiro.
Engenharia Sofisticada e Desempenho Convincente
Motorização Inovadora e Eficaz
O grande trunfo do Volvo 960 era seu novo motor seis cilindros em linha, de 2.922 cm³, todo em alumínio e com 24 válvulas. Este propulsor, que gerava 204 cv e um torque máximo de 27,2 mkgf a 4.300 rpm, foi projetado para alta rigidez e menor comprimento, utilizando uma arquitetura de bloco em três seções. Acoplado a uma nova transmissão automática, o conjunto garantia um desempenho notável para um sedã de 1.560 kg.Performance e Consumo em Contexto Brasileiro
Apesar do peso, o 960 acelerava de 0 a 100 km/h em respeitáveis 9,9 segundos e atingia o primeiro quilômetro em 31,3 segundos. Suas retomadas eram ainda mais impressionantes, indo de 40 a 80 km/h em apenas 5,4 segundos. A velocidade máxima testada foi de 205,7 km/h, próxima à indicada pelo fabricante, mesmo após a "tropicalização" na Suécia. O consumo, por sua vez, registrava médias de 6,7 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada a 100 km/h, valores razoáveis para a categoria.Conforto, Segurança e Posicionamento de Mercado
Dirigibilidade Segura e Conforto Interno
A suspensão independente traseira do tipo "multiligação" (já presente no 760 e ajustada no 960) e a dianteira McPherson trabalhavam em harmonia, oferecendo uma agilidade surpreendente para seu porte. Embora o carro apresentasse um leve subesterço em curvas extremas, sua reatividade ao tirar o pé do acelerador ou frear garantia uma condução previsível e extremamente segura, alinhada à filosofia Volvo. O interior do 960 era um convite a longas viagens, com excelente visibilidade dos instrumentos, ergonomia quase perfeita e amplo espaço para todos os ocupantes, inclusive com um descansa-braço traseiro que se convertia em assento infantil com cinto de três pontos. Apesar de algumas críticas aos bancos dianteiros, que poderiam ser mais envolventes, e ao ruído de vento, o sistema de áudio de alta qualidade ajudava a mascarar essas interferências.Concorrência e Valor Agregado
O Volvo 960 se posicionava como um concorrente direto de pesos-pesados como Mercedes-Benz 300 e BMW 730i. Embora essas marcas vendessem prestígio e cobrassem por equipamentos, o 960 oferecia um pacote completo de luxo, desempenho e, acima de tudo, a inigualável segurança e durabilidade Volvo, tornando-o uma alternativa muito competitiva e digna de consideração para o consumidor brasileiro que buscava um sedã premium sem abrir mão da praticidade e da confiabilidade.Fonte: Auto Esporte
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