MG4 Urban: Hatch elétrico maior e mais barato que Dolphin

MG4 Urban: Um Novo Gigante Elétrico para o Brasil
O mercado brasileiro de hatches elétricos recebe um novo e imponente concorrente em junho: o MG4 Urban. Resultado da parceria entre a clássica marca britânica MG Motor e o gigante chinês Saic, este modelo chega para desafiar estabelecidos como BYD Dolphin e Geely EX2, destacando-se por suas dimensões generosas e proposta de valor. O MG4 Urban, que já estreou no Reino Unido e terá o Brasil como um dos primeiros mercados globais, promete agitar o segmento com um acerto europeu de direção e suspensão, visando uma experiência de condução mais refinada para o consumidor brasileiro.
Dimensões e Espaço Interno
Uma das grandes vantagens do MG4 Urban é o seu porte. Com 4,40 metros de comprimento, ele é cerca de 20 cm maior que o BYD Dolphin e o Geely EX2, superando até mesmo o Volkswagen Golf GTI. Sua distância entre-eixos, de 2,75 metros, não só é 5 cm maior que a do Dolphin, como também se iguala à de um SUV como o Toyota SW4, garantindo um ótimo espaço interno para quatro ocupantes. O porta-malas impressiona com 470 litros (até o teto), complementado por um compartimento extra de 98 litros sob o assoalho, ideal para levar mais bagagem.
Desempenho, Autonomia e Experiência de Condução
A versão Luxury do MG4 Urban, testada com exclusividade, entrega um motor de 163 cv de potência e 25,5 kgfm de torque, alimentado por baterias de 53,9 kWh. Essa configuração resulta em uma autonomia de 360 km pelo padrão Inmetro, podendo alcançar impressionantes 528 km em ciclo urbano no modo Eco. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em rápidos 8,4 segundos, superando seus concorrentes diretos. O carregamento é ágil, indo de 10% a 80% em apenas 30 minutos em estações rápidas de corrente contínua (DC) de até 87 kW. A MG apostou em um acerto de suspensão, direção e freios com calibração europeia, oferecendo um comportamento dinâmico mais equilibrado e agradável, com cinco modos de condução para diferentes perfis.
Equipamentos e Acabamento
O MG4 Urban Luxury chega bem equipado em segurança, com seis airbags, frenagem automática de emergência, alertas de ponto cego, assistente de permanência em faixa e controle de cruzeiro adaptativo (ACC), além de câmeras 360 graus. Em conforto, oferece ar-condicionado digital, carregador por indução, banco do motorista com ajuste elétrico, quadro de instrumentos digital de 7 polegadas e faróis de LED. Embora o acabamento interno com plásticos mais duros possa desapontar ligeiramente em comparação com o BYD Dolphin, ele ainda se posiciona acima da média de carros nacionais na mesma faixa de preço, com uma central multimídia intuitiva de 12,8 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
Preço, Estratégia de Mercado e Desafios
O MG4 Urban está previsto para ser vendido em pelo menos duas versões, com preços estimados entre R$ 140 mil e R$ 150 mil, posicionando-o de forma competitiva. A marca tem planos avançados para montagem local em regime SKD na Pace, em Horizonte (CE), indicando uma aposta de longo prazo no país. O principal desafio da MG no Brasil é a expansão da sua rede de concessionárias, que atualmente conta com apenas 19 pontos. No entanto, a meta é chegar a 70 lojas até o fim do ano, demonstrando um plano de crescimento cauteloso e estratégico, visando consolidar sua presença de forma sustentável no crescente mercado de veículos elétricos.

O novo MG4 Urban, hatch elétrico que chegará ao Brasil em breve, mostra que a parceria entre britânicos e chineses tem mais em comum do que o amor pelo chá. Historiadores divergem sobre a origem desta bebida. Uma das correntes diz que surgiu acidentalmente na China, em 2737 a.C., quando folhas de uma árvore caíram em um balde de água fervente do imperador Shennong, criando um líquido saboroso e revigorante.
Quase 5 mil anos depois, a iguaria se tornou a bebida mais consumida no mundo, muito em razão da cultura de outra nação, o Reino Unido. Se os laços entre chineses e britânicos nem sempre foram amistosos, tornaram-se inseparáveis na centenária MG Motor, clássica marca britânica que hoje é parte do grupo chinês Saic. E o Brasil acaba de entrar nessa infusão com o MG4 Urban, um hatch elétrico com acerto europeu que chega em junho com a missão de brigar com BYD Dolphin e Geely EX2.
Como o segmento de hatches elétricos no Brasil parece a prateleira de chás de qualquer supermercado chinês, o MG4 Urban será aquele pacote com selo de tamanho família, a maior embalagem. Tão grande que nem pode ser considerado compacto. Com 4,40 metros de comprimento, é pelo menos 20 cm mais comprido que Dolphin e EX2. Supera até o Volkswagen Golf GTI, que tem 4,30 m.
A distância entre-eixos, de 2,75 m, não só é 5 cm maior que a do BYD como também empata com a de um Toyota SW4. No porta-malas, a MG divulga o volume de 470 litros, mas considera a área até o teto, não até a altura dos bancos. De todo modo, o compartimento é visualmente bem maior que o de qualquer outro hatch compacto, principalmente graças ao baú de 98 litros extras escondido sob o assoalho, onde ficaria o estepe (há apenas um kit de reparo emergencial).
MG4 Urban Luxury é mais um hatch elétrico chinês para te deixar indeciso
Renato Durães/Autoesporte
Curiosamente, o Urban também é 11 cm maior que o outro MG4. Sim, a MG terá dois modelos com o mesmo nome no Brasil. O Urban será a porta de entrada da família, com motor e tração dianteiros. Já o MG4 sem sobrenome tem motor elétrico mais potente e posicionado sobre o eixo traseiro, onde também ocorre a tração das rodas. Por isso, tem pegada mais esportiva e custa R$ 164.600. Já o Urban deve ser vendido em pelo menos duas versões, com preços entre R$ 140 mil e R$ 150 mil.
O exemplar testado com exclusividade faz parte do lote de homologação, mas já antecipa praticamente tudo o que terá a versão que chegará às lojas em junho. O Brasil será um dos primeiros mercados globais a receber o MG4 Urban, que estreou fora da China em janeiro, exatamente… no Reino Unido. Isso mostra que a Saic, o gigantesco grupo automotivo chinês por trás da MG, aposta muito em nosso país e quer colocar suas fichas em um segmento em ebulição (desculpe, o trocadilho foi inevitável).
MG4 Urban Luxury pode ser produzido no Brasil? Planos parecem encaminhados
Renato Durães/Autoesporte
Com os planos de montagem local na Pace, em Horizonte (CE), já avançados, não seria estranho ver o MG4 Urban com selo “Made in Brazil” (ainda que em esquema SKD) surgir em um prazo razoável.
Mas antes que a água ferva e você vire a página, voltemos ao carro das fotos. A unidade cedida é da configuração Luxury, a mais completa — e cara. Tem motor de 163 cv de potência e 25,5 kgfm de torque e baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP) com 53,9 kWh de capacidade, que gerarão ótimos 360 km de autonomia já no padrão Inmetro, alcance que colocará o modelo como líder do segmento.
O que a MG ainda não definiu é o pacote da versão de entrada. O motor será o mesmo (no exterior, há uma variação com 149 cv com igual torque), mas resta definir o tamanho da bateria. Uma alternativa é escolher uma opção de menor capacidade, 42,8 kWh, com alcance na casa dos 300 km, segundo o PBEV. O pacote de equipamentos também pode mudar.
O carro testado por Autoesporte trazia uma lista bastante coesa de itens de série. Começando pelos recursos de segurança, que a MG promete manter em todas as versões, há seis airbags, frenagem automática de emergência, alertas de ponto cego, assistente de permanência em faixa e controle de cruzeiro adaptativo (ACC). Câmeras 360 graus com boa resolução projetam o hatch na tela da central multimídia de 12,8 polegadas, da qual falaremos mais adiante.
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Acabamento do MG4 Urban parece mais simples do que o utilizado no BYD Dolphin
Renato Durães/Autoesporte
Seguindo para o pacote de conforto, há ar-condicionado digital, carregador por indução, banco do motorista com ajuste elétrico, quadro de instrumentos digital de 7 polegadas e faróis de LED. E se, por um lado, o MG4 Urban surpreende com volante e bancos dianteiros aquecidos e luz ambiente, por outro fica devendo iluminação no para-sol do passageiro, bancos de couro e possibilidade de instalar teto solar.
O elevado padrão de acabamento dos carros chineses nos deixou mal-acostumados. Por isso, há um leve desapontamento com os materiais usados no MG4 Urban, principalmente em comparação com o próprio Dolphin. Toda a parte superior do painel e das portas é de plástico duro. No entanto, nem essa derrapada deixa o chá amargo demais.
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O padrão de acabamento ainda fica acima do de carros nacionais da mesma faixa de preço. O apoio dos braços, por exemplo, tem tecido agradável ao toque. A variação de materiais abrange aço escovado nos comandos (físicos, ainda bem) do ar-condicionado. O que realmente incomoda é o reflexo nos olhos, provocado pela barra cromada que une o quadro de instrumentos digital e a saída de ventilação à esquerda.
MG4 Urban Luxury leva quatro ocupantes com conforto. Um eventual quinto ocupante ficará apertado na cabine
Renato Durães/Autoesporte
Por outro lado, se o emblema da MG fosse trocado pelo de qualquer marca estabelecida no Brasil há décadas, não haveria estranhamento. O cluster digital tem grafismos simples e exibe velocidade, consumo total e parcial, hodômetro, nível da bateria, fluxo de energia e autonomia de forma clara. No painel, há botões para o ar-condicionado.
MG4 Urban Luxury tem ampla central multmídia, como todo hatch chinês
Renato Durães/Autoesporte
Já a central multimídia de 12,8" encara VW Play e MyLink de igual para igual em intuitividade. Os ícones são claros e deixam à mostra as principais funções do veículo. Mesmo sendo uma unidade de homologação, Android Auto e Apple CarPlay se conectam sem fio (alô, Leapmotor!).
Para falar das impressões ao dirigir, vou recorrer novamente ao chá. Lembra que a bebida foi descoberta na China? Mas foi só muitos séculos depois, não sem antes sofrer adaptações, que se tornou popular no Reino Unido. Eis que, para agradar os consumidores brasileiros que bebem café, a MG deixou de lado o acerto chinês e escolheu os ajustes de direção, suspensão e freios dos britânicos.
O que isso significa na prática? Esqueça a suspensão molenga que faz a carroceria chacoalhar assim que o carro aponta na curva, ou os amortecedores com curso curtinho. O peso da direção (ajustável, por sinal) é ideal para proporcionar conforto e transmitir o que se passa nas rodas.
MG4 Urban Luxury tem alavanca de câmbio instalada na coluna de direção
Renato Durães/Autoesporte
Aqui, uma pausa para a recarga, mas sem chá de cadeira. O MG4 Urban pode ser abastecido em aparelhos rápidos de corrente contínua (DC) a até 87 kW, mais do que os concorrentes diretos, que estacionam na casa dos 60 kW. Assim, leva apenas 30 minutos para ir de 10% a 80%. Logo que pluguei o MG4 Urban no eletroposto, dois motoristas de BYD Dolphin me abordaram. De cara, uma saraivada de perguntas. Para a decepção deles, eu não tinha todas as respostas, mas não hesitei em falar do que sabia — desempenho, por exemplo. Aliás, o MG4 Urban tem cinco modos de condução: Normal, Eco, Sport, Custom e Neve. Entre os três primeiros, há uma diferença considerável de desempenho.
Na pista do Rota 127 Campo de Provas, os números mostram que 163 cv e 25,5 kgfm são mais do que suficientes para os 1.520 kg do elétrico. Por ter 68 cv a mais que o Dolphin e 47 cv extras em relação ao EX2, seria natural que a aceleração de zero a 100 km/h fosse mais rápida. Pois o MG4 Urban cravou 8,4 segundos, superando o BYD em 3,2 s e o Geely, em 1,4 s.
Troca da alavanca de câmbio pela aleta na coluna de direção abre espaço para um carregador de celular por indução no console de dois andares
Renato Durães/Autoesporte
No modo Eco, claramente voltado à eficiência energética, a letargia do pedal do acelerador fica muito evidente e, óbvio, é necessário ter uma dose maior de paciência para manobras que demandam agilidade. Melhor preparar uma infusão de maracujá antes de dirigir dessa forma. Contudo, é nesse cenário que o Urban é mais econômico. Cravou ótimos 9,8 km/kWh em nosso teste.
Nessa condição, podemos projetar a impressionante autonomia de 528 km na cidade. Mesmo na estrada, quando a bateria é consumida mais rapidamente, marcou 7,5 km/kWh, que, em tese, garantem 405 km. Recomendo priorizar o modo Normal, o mais agradável no uso cotidiano, ainda com consumo moderado.
Lanternas traseiras fazem menção a parte da bandeira do Reino Unido
Renato Durães/Autoesporte
Após conferirem pessoalmente o MG4 Urban, aprovando espaço interno e porta-malas, os proprietários do Dolphin que mencionei antes, ambos motoristas de aplicativo, ficaram ainda mais curiosos para conhecer melhor o novo hatch. Expliquei que o carro levará alguns meses para ser lançado, e que a MG é uma marca britânica com dinheiro e tecnologia chineses. O único incômodo deles, principalmente em comparação com a quase onipresente BYD, era a respeito da marca novata no Brasil.
Preocupação justificada. Passados seis meses da chegada da MG por aqui, há só 19 pontos de venda, distribuídos em dez estados mais Distrito Federal. Até o fim do ano, o objetivo é expandir para 70 lojas, incluindo novos espaços em São Paulo, capital, atualmente com apenas uma loja aberta. Claro que a MG tem desejo e necessidade de crescer para manter a operação saudável. Mas já avisou que não fará loucuras para conquistar mercado. Tal qual um britânico espera pacientemente pelo chá das 5, a marca está trazendo o MG4 Urban na hora certa e da forma correta para conquistar uma fatia crescente do nosso mercado.
Ponto negativo: Espaço interno, porta-malas, ótimo desempenho, autonomia grande e bom gerenciamento da bateria
Ponto positivo: Rede de concessionárias da marca ainda é pequena; acabamento inferior ao de BYD Dolphin e Geely EX2
MG4 Urban Luxury
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Fonte: Auto Esporte
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