MG S5 Elétrico: A fusão britânica-chinesa no Brasil

O Retorno da MG: S5 Unindo Herança Britânica e Inovação Chinesa
A MG está de volta ao Brasil, visando redefinir sua imagem após uma passagem anterior breve e com má impressão. Agora sob o comando da gigante chinesa SAIC, a estratégia é clara: mesclar a centenária herança britânica com a tecnologia de ponta dos veículos elétricos chineses. O MG S5, SUV médio elétrico de entrada, é o embaixador dessa nova fase. Ele chega para competir em um segmento aquecido, com versões Comfort (R$ 185.800) e Luxury (R$ 219.800), sendo esta última a avaliada.
Design, Acabamento e Tecnologia
Visualmente, o S5 adota a cartilha chinesa contemporânea: dianteira minimalista com iluminação full-LED, DRLs afilados e lanternas traseiras interligadas. No interior, porém, o "choque cultural" é positivo. O acabamento surpreende pelo refino, superando concorrentes diretos como BYD Yuan Plus e Geely EX5, com detalhes como o revestimento em alcantara no carregador por indução.
A central multimídia de 12,8 polegadas se destaca pela intuitividade e, crucialmente, mantém botões físicos para ar-condicionado, volume e home – uma praticidade elogiada. A conectividade Apple CarPlay sem fio é rápida e eficiente.
Segurança e Ergonomia a Bordo
Em segurança, o S5 é generoso: seis airbags e 16 assistências ADAS (Frenagem Automática, ACC, Alerta de Ponto Cego, Câmera 360°). Há a possibilidade de personalizar os avisos sonoros excessivos, um alívio para muitos motoristas.
Contudo, a ergonomia tem pontos a melhorar. As entradas USB-C, por exemplo, ficam dentro do porta-objetos central, pouco prático. O apoio de braço é baixo para motoristas mais altos. No espaço traseiro, os 2,73m de entre-eixos garantem bom espaço para as pernas, mas o assento baixo e inclinado compromete o conforto para adultos. O porta-malas tem 453 litros e abertura elétrica. O banco do motorista, com ajuste elétrico, é confortável e oferece boa postura.
Desempenho e Dinâmica de Condução
O MG S5 Luxury é equipado com um motor elétrico traseiro de 205 cv e 35,5 kgfm de torque, com tração traseira. Embora competente nas arrancadas, o peso de 1.791 kg faz com que o SUV demonstre certa limitação em retomadas de velocidade que exigem mais fôlego.
O grande diferencial é a suspensão. Desenvolvida pela filial da SAIC no Reino Unido, ela é robusta e confortável, fugindo do comportamento "molenga" típico de alguns veículos chineses e oferecendo uma dinâmica mais próxima dos SUVs europeus. Os controles de tração e estabilidade são eficazes, garantindo boa performance em dias chuvosos. A frenagem regenerativa adaptativa, com modo One Pedal, é inteligente, otimizando o uso da energia da bateria de 62 kWh (350 km de autonomia Inmetro). A única ressalva é o leitor de placas de velocidade, que demora para atualizar.
Veredito: Um Novo Capítulo para a MG
Com um pacote robusto de segurança, tecnologia e conforto, além de uma dinâmica de condução surpreendentemente europeia, o MG S5 se posiciona como um forte concorrente no segmento. Ele tem potencial para brigar com rivais de peso e solidificar o retorno da MG ao mercado brasileiro, mostrando que a marca está pronta para um novo e promissor capítulo.

Se a sua memória é boa, você vai lembrar que a MG vendeu carros no Brasil entre 2011 e 2013, quando era representada pela importadora Forest Trade. Daquela primeira onda de carros chineses no país, vários tiveram vida curta e deixaram uma impressão negativa. Aliás, daquela primeira leva de marcas chinesas que se aventuraram no país, apenas JAC e Chery — esta representada pela Caoa desde 2017 — sobreviveram. E tem a Geely, que volta agora completamente reformulada.
O novo MG S5, carro de entrada da marca nesse retorno ao país, tenta unir a tecnologia dos atuais modelos eletrificados chineses à herança tradicional britânica.
MG S5 Luxury tem lanternas interligadas na traseira
André Schaun/Autoesporte
Digo isso porque, apesar da origem centenária no Reino Unido, a MG foi comprada pela gigante chinesa Saic há 20 anos.. No Brasil, o SUV médio elétrico é vendido em duas versões: Comfort (R$ 185.800) e Luxury (R$ 219.800), que foi a que testamos.
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Apesar do legado bretão, o design segue à risca a cartilha dos atuais carros chineses e não deixa dúvidas quanto ao verdadeiro país de origem do modelo: dianteira com linhas minimalistas e iluminação toda de LED; luzes diurnas (DRLs) afiladas logo abaixo do capô; e faróis próximos ao para-choque, quase no nível das entradas de ar. Vale lembrar que carros elétricos não demandam entradas de ar tão grandes, mas a do S5 é até bem visível e ajuda a dar um ar mais britânico. Na traseira, a cartilha chinesa também marca presença: lanternas de LED interligadas por um filete luminoso.
MG S5 Luxury foi fotografado na chuva, como um bom carro de alma britânica
André Schaun/Autoesporte
Dentro do S5, o choque cultural entre China e Reino Unido fica ainda maior. O SUV tem acabamento muito bom, lembrando a sofisticação britânica e passando a impressão de mais refino do que outros concorrentes dessa faixa de preço — incluindo rivais elétricos como BYD Yuan Plus e Geely EX5. O carregador de celular por indução, que fica ao lado do seletor de marchas no console central, tem até revestimento de alcantara.
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Um ponto que distorce o S5 dos demais chineses é que a central multimídia com tela de 12,8 polegadas também traz comandos por botões físicos (o que é ótimo) para o ar-condicionado digital de apenas uma zona, o volume e a home. As funcionalidades são boas, e a conexão sem fio do Apple CarPlay ocorre de forma rápida. A praticidade surpreende, porque o sistema é muito fácil de mexer e encontrar o que você precisa.
MG S5 tem seis airbags, câmera 360° e ótimos itens de segurança
André Schaun/Autoesporte
Clicando no menu MG Piloto, é possível habilitar e desabilitar várias funções do carro, já que são 16 tipos de assistência Adas de segurança ativa, entre eles frenagem automática de emergência, controle de cruzeiro adaptativo (ACC), alerta de ponto cego e leitura de velocidade máxima da via. Como carros chineses apitam em excesso — e, nesse caso, não é diferente —, dá para minimizar os avisos sonoros que incomodam. Se o condutor quiser manter algum habilitado, pode controlar o volume do alerta em alto, médio ou baixo.
Se isso é bom, a ergonomia deixa a desejar em detalhes como as entradas USB-C, que ficam dentro do baú no apoio de braço central, algo pouco prático no dia a dia. Esse apoio também é baixo, deixando motoristas mais altos, como eu (1,87 m), sem muito conforto ao descansar o braço nas paradas em semáforos. Falando em espaço, o S5 tem 4,48 metros de comprimento e 453 litros de capacidade no porta-malas, com abertura elétrica pela chave.
S5 traz teto solar panorâmico, mas assento traseiro é pouco ergonômico
André Schaun/Autoesporte
Os 2,73 m de entre-eixos dão bom espaço para as pernas no banco de trás. Porém, o assento traseiro é baixo e inclinado para cima, tornando a postura dos ocupantes um tanto incômoda. Ao menos há saídas de ar e uma entrada UBS-C.
O banco do motorista tem ajuste elétrico (o do passageiro, não) e é muito confortável, deixando a postura ereta e não com as costas afundadas no banco, como em outros conterrâneos. Com um único motor elétrico traseiro e tração traseira, o S5 tem 205 cv de potência e 35,5 kgfm de torque. O conjunto dá conta de suportar o peso nas arrancadas, mas, quando precisamos de mais elasticidade final ou fôlego nas retomadas, os 1.791 kg de peso pedem uma dose extra de cavalaria.
MG S5 Luxury tem um bom desempenho
André Schaun/Autoesporte
O item “menos chinês” desse carro é a suspensão, confortável e robusta para o dia a dia, sem o comportamento molenga típico de outros carros do país. Todos os veículos da MG são desenvolvidos pela filial da Saic Motor no próprio Reino Unido. Como os controles de tração e de estabilidade são competentes, os dias chuvosos não deixam o S5 escorregar, patinar ou “passarinhar” em solo molhado.
A frenagem regenerativa está presente nos níveis baixo, médio e alto. Este último ativa o modo One Pedal, que dispensa o uso do freio hidráulico. Entretanto, o sistema opera de forma adaptativa, ou seja, você pode até estar dirigindo com o nível máximo, mas, se tirar o pé do acelerador e não houver nenhum veículo ou obstáculo próximo à frente, a regeneração será mais suave e deixará o carro “rolando”. É um ótimo recurso para usar na estrada, principalmente.
A bateria de Lítio-Ferro-Fosfato (LFP) tem 62 kWh de capacidade e rende 350 km de autonomia no Inmetro. O que deixa a desejar é o leitor de placas de velocidade: confuso, demora para atualizar quando o limite de velocidade da via é trocado.
S5 traz rodas aro 18
André Schaun/Autoesporte
Por fim, mesmo que tenha um design parecido com o de tantos outros carros chineses, o MG S5 se diferencia da concorrência por trazer ótimos equipamentos de segurança, tecnologia e conforto, além de ter dinâmica mas próxima à de SUVs europeus. E tudo isso com preço e potencial para brigar com Geely EX5, BYD Yuan Plus, Leapmotor C10 e companhia. Se a vida da MG foi curta num passado recente, ter o S5 como novo carro de entrada e cartão de visitas mostra que os tempos mudaram de vez.
Pontos positivos: Multimídia intuitiva; botões de ar-condicionado; suspensão; frenagem regenerativa inteligente
Pontos negativos: Falta potência; sensor de leitura de placa demora para atualizar no painel de instrumentos
MG S5 Luxury
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Fonte: Auto Esporte
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