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Fiat Pulse Drive Manual: Vale a Pena o SUV 1.3 Econômico?

14 de janeiro de 2026
9 min de leitura
Fiat Pulse Drive Manual: Vale a Pena o SUV 1.3 Econômico?

O Fiat Pulse Drive 1.3 manual de 2025 retorna ao mercado como uma aposta estratégica da Fiat para competir no segmento de SUVs de entrada, oferecendo um preço competitivo de R$ 102.990. Equipado com o motor 1.3 Firefly de 107 cv, entrega desempenho razoável e, surpreendentemente, um consumo excelente: 12,6 km/l na cidade e 16,1 km/l na estrada com gasolina. A transmissão manual de cinco marchas, contudo, é um calcanhar de Aquiles, com engates imprecisos e relações longas que favorecem a economia. A dirigibilidade é fácil na cidade, mas a direção leve pode causar instabilidade em velocidades maiores.
No interior, a simplicidade do acabamento, com plásticos rígidos e peças desalinhadas, é um ponto fraco para um carro acima de R$ 100 mil. Contudo, oferece central multimídia de 8,4" com conexão sem fio, ar-condicionado digital e faróis de LED. O espaço interno é apertado, especialmente para as pernas dos passageiros traseiros, e o porta-malas de 370 litros é pequeno. Apesar das economias (como falta de ajuste de altura do volante), o Pulse se destaca pelo baixo custo das revisões. É uma opção para quem busca agilidade urbana, economia e preço acessível, aceitando as concessões em conforto e refinamento.

Fiat Pulse Drive Manual: Vale a Pena o SUV 1.3 Econômico?
Apesar de escassos, os carros manuais ainda existem no Brasil. Ao todo, são cerca de 30 opções de veículos com pedal e embreagem. Mas, quando olhamos para os SUVs, existem apenas cinco: Renault Duster e Kardian, Volkswagen Tera, Citroën Basalt e, por fim, o Fiat Pulse. E é sobre este último que vamos falar. Afinal, o retorno da versão Drive 1.3 manual em 2025 foi uma decisão estratégica da Fiat.
Explico o porquê. O Pulse faz parte de um dos segmentos mais competitivos do mercado: o dos SUVs de entrada. E, no ano passado, a Volkswagen veio com uma forte ofensiva com o lançamento do Tera. Tanto que o SUV fechou o ano vendendo mais que o próprio Pulse e seu outro rival direto, o Kardian. Olhando para o macro, a ideia da Fiat foi reviver a versão manual do Pulse apostando no preço competitivo, que atualmente está em R$ 102.990. O Tera, por exemplo, já custa R$ 108.390 na versão mais básica.
Fiat Pulse Drive 1.3 - Desempenho e consumo
Dito tudo isso, acho válido começar esse teste falando sobre o conhecido motor 1.3 Firefly de 107 cv de potência e 13,7 kgfm de torque, o mesmo presente em outros modelos da fabricante, como o Cronos e o Argo. É um conjunto confiável que, aliado ao câmbio manual de cinco marchas, entrega um desempenho razoável. Afinal, a aceleração de 0 a 100 km/h em 12,3 segundos não te faz exatamente grudar no banco. E nem é essa a proposta.
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Mesmo assim, olhando para o segmento, os dados se encaixam na proposta. Sim, deixa o modelo atrás do Renault Kardian, por exemplo, que é equipado com motor 1.0 turbo de 125 cv. Porém, fica na frente do Tera e seus 84 cv com motor 1.0 aspirado. Algo legal é a função "TC+", presente também em outros veículos da marca italiana, que funciona como um auxílio eletrônico.
Quando as rodas motrizes (dianteiras) estão em condições diferentes de aderência, há envio de torque extra para a que está com melhor fixação no solo. Longe de ser uma vetorização de torque, mas ajuda em situações em terrenos um pouco mais acidentados.
Motor 1.3 Firefly do Fiat Pulse se destaca pelo desempenho e um excelente consumo de combustível
Murilo Góes/Autoesporte
O consumo é um ponto positivo. Em nossos testes, com gasolina no tanque e ar-condicionado ligado, o Fiat Pulse fez 12,6 km/l no ciclo urbano e 16,1 km/l no rodoviário. Para se ter uma ideia, o Volkswagen Tera marcou 14,7 km/l na estrada. Portanto, méritos para o Pulse, que, mesmo com um motor maior e, em tese, mais beberrão, conseguiu superar o rival direto.
A chave para a frugalidade está no trabalho mais relaxado do motor. No Tera, por exemplo, o 1.0 trabalha sempre até rotações mais altas para garantir desempenho.
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Na vida real
Ao volante, devo dizer que durante minha experiência com o Pulse Drive 1.3, percebi como o câmbio é um calcanhar de aquiles do SUV da Fiat. Apesar de ser um carro fácil de dirigir, os engates imprecisos dão a impressão de uma alavanca molenga. A experiência é distante de um Volkswagen manual, por exemplo, referência nesse quesito.
Outra característica da transmissão é que o curso é mais alongado. Longas também são as relações, que, se por um lado, prejudica as acelerações, ajuda no consumo em contrapartida. Na condução, um detalhe perceptível é a direção leve. Apesar de ser uma característica ótima nas manobras, me fez sentir certa instabilidade em velocidades mais elevadas nos trechos de estrada, exigindo mais atenção e parcimônia nos movimentos.
Fiat Pulse recebeu um facelit na linha 2026 com mudanças de design e equipamentos
Murilo Goes/Autoesporte
Em contraponto, algo interessante sobre o Pulse é que esse motor de duas válvulas por cilindro prioriza a entrega de torque em rotações mais baixas, reforçando a vocação urbana com boa performance na cidade, especialmente entre 1.500 rpm e 4.000 rpm.
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No geral, o Pulse é esperto na direção, trazendo até uma certa diversão na hora de sair das enrascadas do trânsito. Fora o conforto proporcionado pelo conjunto de suspensão que, sim, tem uma certa oscilação por ser menos rígida, mas absorve bem os atritos. Agora, se você pega bastante estrada, assim como eu, saiba que o vigor só aparece próximo dos 3.000 rpm. Em um trecho dirigindo na média de 100 km/h, também notei que o isolamento acústico deixa bastante a desejar.
Fiat Pulse Drive traz motor 1.3 aspirado aliado ao câmbio manual de cinco marchas
Murilo Goes/Autoesporte
Em tempo, digo que os freios traseiros são a tambor (em todas as versões!). Ou seja, impede uma frenagem mais rigorosa do carro de 1.140 kg, que precisou de 41,1 metros para parar completamente a uma velocidade de 100 km/h. Para efeito de comparação, a versão topo de linha do Tera, a High, precisou de 37,4 metros para cumprir o mesmo trajeto com seus discos sólidos traseiros e 1.169 kg.
Como é o Fiat Pulse Drive 1.3?
Simplicidade. Sei que é uma palavra rígida, mas foi a primeira que me veio a cabeça quando vi o acabamento. Sim, estamos falando de um carro de entrada, porém ele já passa dos R$ 100 mil. Então, ao menos nesse caso, não é só a presença de plástico rígido que incomoda, mas sim algumas peças desalinhadas e pontos da cabine que poderiam ter diferentes texturas.
Fiat Pulse tem mais espaço para porta-objetos, mas o acabamento deixe a desejar
Murilo Góes/Autoesporte
O Fiat Pulse, vale lembrar, recebeu um facelift na linha 2026. E embora mantenha as rodas de 16 polegadas com calotas, o SUV traz faróis de LED em todas as versões. E vamos lá, nem tudo são espinhos. Por dentro, traz uma central de 8,4" com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, que tem uma boa interface e é muito simples de mexer. Além disso, oferece três portas USB dos tipo C e A, bem como ar-condicionado digital.
A simplicidade da versão de entrada fica por conta do cluster analógico, que traz uma pequena tela TFT no centro. E é nesse ponto que entra uma questão: o projeto do Pulse está ficando datado, já que o modelo está basicamente igual desde seu lançamento em 2021. De série, o SUV ainda traz controlador de velocidade, assistente de partida em rampa e quatro airbags, uma penalidade frente à rivais que oferecem seis bolsas de ar.
Fiat Pulse Drive 1.3 é equipado com rodas de 16 polegadas com calotas; rodas de liga leve são opcionais
Murilo Góes/Autoesporte
No dia a dia, enquanto o espaço para porta-objetos me agradou, comecei a notar mais algumas economias que incomodam. Não há, por exemplo, ajuste de altura no volante, o que atrapalha na ergonomia, e nem luz no porta-luvas ou alças de teto. Ao menos é possível regular a altura do cinto de segurança, ajudando no conforto.
Fiat Pulse Drive 1.3 - Espaço e conforto
Por fim, mas não menos importante: o espaço do Fiat Pulse. O nome "compacto" não vem à toa nessa hora, já que a cabine do SUV é bem enxuta. Com 4,10 metros de comprimento e 2,53 m de entre-eixos, basicamente o mesmo do Argo, a segunda fileira do Fiat é apertada para as pernas. Com meus singelos 1,60 m de altura, fico confortável, mas pessoas com mais de 1,75 m vão ficar (bastante) apertadas.
Fiat Pulse Drive 1.3 tem o mesmo entre-eixos do Fiat Argo
Murilo Góes/Autoesporte
O túnel central mais elevado também atrapalha no caso de uma pessoa ir no assento do meio. E vale dizer que embora a capacidade permita, três pessoas passam sufoco, o que faz dele menos ideal para famílias. Sobre comodidades, não há uma saída de ar para os passageiros traseiros. Entretanto, há uma saída USB do tipo A que ajuda a carregar o celular de quem vai no banco de trás.
Por último, o porta-malas, que é um tópico sensível para a Fiat. A fabricante não divulga a capacidade no padrão VDA, que usa blocos para definir o volume. A metodologia da marca é com litros de água. Nesse caso, são 370 litros, o que mesmo assim é um espaço pequeno. Portanto, colocar bagagens de uma família de três ou mais pessoas pode ser um verdadeiro desafio. Importante dizer que, na comparação com os rivais, Kardian oferece 358 litros e o Tera 350 litros, ambos no VDA.
Fiat não divulga a capacidade do porta-malas do Pulse no padrão VDA
Murilo Goes/Autoesporte
Conclusão
Chegamos aos finalmentes. Nesse processo de reviver o Pulse Drive 1.3, a Fiat trouxe uma boa fórmula de custo-benefício. E isso não só no preço final de compra, já que as cinco primeiras revisões do SUV no valor de R$ 4.134 tornam o carro ainda mais competitivo.
Fato que é, pela ótica do mercado, o Pulse é uma montanha-russa. Tem bom desempenho, médias interessantes de consumo e bom preço, também entrega uma dinâmica aceitável do câmbio, além de pouco espaço e acabamento abaixo da média. Ou seja, resume bem uma versão “pé de boi”, com certas economias que fazem falta ao consumidor. Ele, de fato, faz sentido para quem preza por um desempenho mais ágil e quer pagar menos, mas vai incomodar quem prioriza o conforto.
Pontos positivos: consumo; valor das revisões e desempenho.
Pontos negativos: câmbio impreciso; acabamento e espaço.
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Ficha técnica - Fiat Pulse Drive 1.3
Testes - Fiat Pulse Drive 1.3
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Fonte: Auto Esporte

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