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F1 e Mulheres: As Pioneiras do Automobilismo no Dia da...

06 de março de 2026
4 min de leitura
F1 e Mulheres: As Pioneiras do Automobilismo no Dia da...

Mulheres no Volante: A Ausência da F1 e um Histórico Rico

Em um cenário onde o Dia Internacional da Mulher é celebrado em meio à abertura da temporada de Fórmula 1, o contraste é notável: há mais de três décadas, nenhuma pilota competiu oficialmente na categoria principal do automobilismo. Apesar dessa ausência prolongada, a história do esporte a motor é rica em figuras femininas que desafiaram barreiras desde as primeiras corridas. Globalmente, nomes como as francesas Camille du Gast, Anne de Mortemart e Hélène van Zuylen foram pioneiras. Na F1, a restrição foi ainda maior, com apenas cinco mulheres no cockpit em 75 anos. A italiana Maria Teresa de Filippis foi a pioneira entre 1958 e 1959, enfrentando preconceitos explícitos. Lella Lombardi, também italiana, foi a única a pontuar, conquistando meio ponto no GP da Espanha de 1975. A última mulher a competir foi Giovanna Amati, em 1992, marcando o início da longa lacuna atual.

O Pioneirismo Feminino no Automobilismo Brasileiro

Venina Piquet: Coragem e Resiliência nas Pistas Iniciais

O Brasil teve suas próprias heroínas. Venina Piquet, carioca nascida em 1899, destacou-se no início do século XX. Ela não tinha parentesco com o tricampeão Nelson Piquet, mas fez história. Em 1934, com um Ford Tudor, venceu sua primeira corrida de arrancada no Recreio dos Bandeirantes. Conquistou outras vitórias, mas sua trajetória foi marcada pela proibição do marido de disputar o GP do Rio de Janeiro de 1935. Apesar de sua insistência para o GP de 1936, onde a francesa Hellé de Nice faria história como a primeira pilota a correr a prova, a não entrega de seu Bugatti 43 a fez abandonar o esporte, após três vitórias em seis provas.

Dulce Borges Barreiros: A Primeira a Vencer no Brasil

Outro nome de peso foi Dulce Borges Barreiros, a primeira mulher a vencer uma competição no Brasil: o Quilômetro Lançado, na Avenida Paulista, em São Paulo, em 1926, a bordo de um Lincoln Série L. Ela também ergueu a Taça Rei do Volante no Pacaembu em 1927, com um Bugatti T35, antes de se afastar das pistas.

Representatividade Atual e o Chamado à Reflexão

Bia Figueiredo: A Referência Brasileira no Esporte a Motor

Atualmente, a pilota brasileira mais bem-sucedida é Bia Figueiredo. Ela quebrou recordes, sendo a primeira mulher no mundo a vencer na Fórmula Renault e na Indy Lights. Disputou a Fórmula Indy, conquistando um 13º lugar nas 500 Milhas de Indianápolis em 2012, e foi a primeira a guiar na Stock Car brasileira em 2014. Bia, assim como Michèle Mouton nos ralis (vencedora de quatro provas do Mundial de Rali), enfrentou e superou comentários sexistas, como o irônico elogio de dirigir "como um homem". Falar sobre essas pioneiras e desafiadoras não é superficial, mas uma provocação necessária para a reflexão e para impulsionar a mudança, especialmente em um dia tão significativo como o 8 de março.


O GP da Austrália abre a temporada 2026 da Fórmula 1 neste dia 8 de março. Nesta mesma data será comemorado o Dia Internacional da Mulher. Lamentavelmente, a competição não vê uma delas no grid de largada, entre os pilotos, há mais de 30 anos.
Você sabe quem foi Venina Piquet? Não, Venina não era parentáe do tricampeão de F1, mas foi uma pioneira no automobilismo mundial.
Carioca, nascida em 1899, Venina participou de sua primeira corrida em 1934, uma prova de arrancada no Recreio dos Bandeirantes, com um Ford Tudor 1934, e venceu com 2,5 segundos sobre o segundo colocado. Ganhou outras competições e, quando iria disputar sua prova mais importante, o GP do Rio de Janeiro de 1935, no Circuito da Gávea, foi proibida de correr pelo marido.
Venina Piquet foi primeira pilota brasileira
Reprodução
No ano seguinte, insistiu em participar do GP, principal competição do calendário nacional e que receberia a francesa Hellé de Nice e seu Alfa Romeo 8C 2300 Monza (ela acabou sendo a primeira pilota a correr a prova). Porém, seu Bugatti 43 não foi entregue e, indignada, Venina abandonou o automobilismo.
Se Venina foi a “chauffeuse” que mais se destacou no começo do século passado, com três vitórias em seis provas disputadas, outra pilota, Dulce Borges Barreiros, foi a primeira mulher a vencer uma competição, o Quilômetro Lançado, na Av. Paulista, em São Paulo (SP), em 1926, com um Lincoln Série L. Também ganhou a Taça Rei do Volante, no circuito improvisado no Pacaembu, em 1927, com um Bugatti T35. Depois, abandonou a carreira.
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Desde 1884, com o raid Paris--Rouen, primeira corrida oficial de automóveis no mundo, as mulheres tentam se sobressair no automobilismo. Três delas foram pioneiras: as francesas Camille du Gast, a duquesa Anne de Mortemart e a baronesa Hélène van Zuylen. Outras tentaram, mas nenhuma se sobressaiu.
Lella Lombardi foi a única mulher a pontuar na Fórmula 1
Reprodução
Em 1950 chegou a Fórmula 1, principal categoria do esporte a motor, e a restrição à participação de mulheres só aumentou: apenas cinco delas, em 75 anos, conseguiram vaga no cockpit; e somente uma, a italiana Lella Lombardi, pontuou (meio ponto no GP da Espanha de 1975).
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A pioneira na F1, outra italiana chamada Maria Teresa de Filippis, competiu em três provas entre 1958 e 1959. Foi vetada no GP da França com a justificativa do diretor da prova de que o “único capacete que uma mulher deveria usar é o do cabeleireiro”.
Giovanna Amati foi a última mulher a competir na Fórmula 1, em 1992
Reprodução
A italiana Giovanna Amati foi a última pilota a correr na competição, em 1992. Portanto, são mais de 30 anos sem uma mulher registrada oficialmente na Fórmula 1.
Nos ralis, a participação feminina era mais comum. A maior exponente foi a francesa Michèle Mouton, vencedora de quatro provas do Mundial de Rali com o Audi Quattro em 1981 e 1982. Ela me disse que o maior elogio que recebeu de um piloto adversário foi um irônico “parabéns, você dirige como um homem”.
Bia Figueiredo é a mais bem-sucedida pilota brasileira
Reprodução
Bia Figueiredo, nossa mais bem-sucedida pilota, conta que passou por situações parecidas quando começou a se destacar. Bia foi a primeira mulher no mundo a vencer uma prova na Fórmula Renault e na Indy Lights. Correu na Fórmula Indy, foi 13ª nas 500 Milhas de Indianápolis em 2012 e, em 2014, foi a primeira a guiar na Stock Car brasileira.
Em um país em que 500 mulheres são agredidas por hora e um feminicídio é registrado a cada 17 horas, sem contar outras barbaridades cometidas pelos homens, falar dessas pioneiras pode parecer superficial. Mas, quase sempre, tudo começa com uma provocação. Feliz Dia Internacional da Mulher.
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Fonte: Auto Esporte

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