Voltar para Notícias
Mercado

Anfavea Alerta: Fim da Isenção SKD/CKD Ameaça Empregos

23 de janeiro de 2026
1 min de leitura
Por Mauro Balhessa
Anfavea Alerta: Fim da Isenção SKD/CKD Ameaça Empregos

O Debate Central: Isenção Fiscal para Kits Automotivos

A indústria automotiva brasileira está em ebulição com a discussão sobre a manutenção da isenção fiscal para a importação de veículos em kits, conhecidos como SKD (Semi-Knocked Down) e CKD (Completely Knocked Down). A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) emitiu um alerta grave: a continuidade dessa medida, que beneficia principalmente a montagem local de veículos importados, poderá resultar em demissões em massa no setor. Essa isenção, implementada para estimular a chegada de novas tecnologias e a produção local em um primeiro momento, está agora sob escrutínio por seus potenciais impactos na balança comercial e na competitividade da indústria já estabelecida no país.

O Que São SKD e CKD?

SKD e CKD são modalidades de importação que permitem que um veículo seja trazido ao Brasil em partes, para ser montado aqui. O SKD envolve a importação de componentes pré-montados, exigindo menos trabalho local. Já o CKD significa que o veículo chega completamente desmontado, necessitando de uma linha de montagem mais complexa e gerando mais empregos e valor agregado no país. A isenção de impostos para esses kits foi um atrativo para montadoras que desejam iniciar operações no Brasil com menor investimento inicial, especialmente no segmento de veículos elétricos e híbridos.

Impacto no Mercado Automotivo Brasileiro

A preocupação da Anfavea reside na desvantagem competitiva que a isenção de impostos para SKD e CKD pode criar. As montadoras com produção totalmente nacional, que empregam mais mão de obra e utilizam uma cadeia de suprimentos local, acabam arcando com uma carga tributária maior. Manter a isenção, segundo a associação, incentivaria a importação de kits em detrimento da produção local de veículos completos, potencialmente desaquecendo a indústria brasileira e forçando cortes de pessoal. Para o motorista brasileiro, essa dinâmica pode significar uma oferta maior de veículos importados montados localmente a preços mais competitivos no curto prazo, especialmente os elétricos. No entanto, a longo prazo, a saúde da indústria nacional e seus milhares de empregos estão em jogo, o que pode impactar a oferta, a inovação e o serviço pós-venda.

O Papel da BYD e o Futuro do Setor

As negociações pela prorrogação da isenção de impostos para SKD e CKD estão sendo lideradas pela BYD, gigante chinesa que tem feito investimentos significativos no Brasil, incluindo a construção de uma fábrica na Bahia. A empresa, que se beneficiou amplamente dessa política para introduzir seus veículos elétricos no mercado brasileiro, busca mais seis meses de incentivo para consolidar suas operações e expandir sua presença. A decisão sobre a continuidade ou não da isenção terá um impacto direto nos planos de expansão de novas montadoras e na estratégia das empresas já estabelecidas. É um cenário complexo que coloca em xeque a política industrial do país: equilibrar a atração de novos investimentos e tecnologias com a proteção e o fortalecimento da base produtiva e empregos existentes no Brasil. O resultado definirá não apenas o futuro de muitas empresas, mas também a direção que o mercado de veículos, especialmente o de carros elétricos, tomará nos próximos anos.

Negociações por mais seis meses da medida estariam sendo lideradas pela BYD, principal beneficiada

Anfaveaisenção SKD CKDBYD Brasilmercado automotivocarros elétricosimportação de veículosprodução nacionalpolítica fiscalVisão Veicularvisaoveicular

Fonte: Quatro Rodas

Ler artigo original