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Onix e Tracker desvalorizam por correia a óleo? Análise

09 de fevereiro de 2026
7 min de leitura
Onix e Tracker desvalorizam por correia a óleo? Análise

Correia Banhada a Óleo: O Gatilho da Desvalorização

Desde o início de 2025, a correia banhada a óleo dos Chevrolet Onix e Tracker tem sido o centro de discussões no mercado automotivo brasileiro. Relatos de problemas, como o desmanche do componente por uso de lubrificante inadequado, levantaram a questão sobre o impacto na desvalorização desses modelos. Um estudo exclusivo, encomendado por Autoesporte e conduzido pela Indicata, empresa global de análise de transações veiculares, buscou quantificar essa influência.

Entenda o Estudo da Indicata

A Indicata analisou o preço médio de anúncios das gerações atuais de Onix e Tracker, comparando-os com seus rivais diretos: Volkswagen Polo e Hyundai HB20 (hatchbacks); e Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta (SUVs). O ponto de partida foi fevereiro de 2024, antes da popularização dos problemas. Enquanto os concorrentes registraram valorização, Onix e Tracker demonstraram desvalorização.

Impacto no Mercado de Seminovos e Liquidez

Desvalorização do Onix e Tracker

O Chevrolet Onix, após uma estabilização inicial, começou a desvalorizar de forma mais acentuada a partir de abril de 2025, quando as queixas sobre a correia se intensificaram. Enquanto Polo e HB20 acumulavam valorização, o Onix registrava variação negativa. De forma similar, o Tracker também mostrou uma queda mais profunda e lenta recuperação em comparação com Creta e T-Cross. Em dezembro de 2025, a diferença de preço entre o Tracker e seus concorrentes chegava a R$ 17 mil, com o SUV da Chevrolet acumulando 7,6% de desvalorização em relação a fevereiro de 2024, contra valorização dos rivais. Em janeiro de 2026, Onix e Tracker ainda apresentavam desvalorização acumulada, mesmo com a inflação do período sendo positiva, indicando uma depreciação real ainda maior.

Dificuldade na Revenda (Market Day Supply)

Além da desvalorização, Onix e Tracker também enfrentaram dificuldades na liquidez, medida pelo Market Day Supply (MDS) da Indicata. O MDS ideal é igual ou inferior a 40. Em janeiro de 2026, o MDS médio do Onix era 57 (contra 50 do Polo e 49 do HB20), e do Tracker era 59 (contra 50 do T-Cross e 49 do Creta). Em seus piores momentos, o Onix chegou a um MDS de 87 e o Tracker a 78, indicando maior tempo em estoque e a necessidade de rebaixas para venda. Embora haja uma aproximação recente dos índices, a desvalorização não foi recuperada.

Reação da Chevrolet e Perspectivas Futuras

A Chevrolet reagiu aos problemas, aumentando a garantia do componente para cinco anos ou 240 mil km rodados e introduzindo uma correia banhada a óleo reforçada, de um novo fornecedor, na linha 2026 de Onix e Tracker, juntamente com um visual atualizado. Embora essas ações possam ter mitigado um "sangramento" ainda maior nas vendas de carros novos, elas não impediram que os modelos continuassem perdendo valor e se distanciassem dos concorrentes no mercado de seminovos. O futuro indicará se essas medidas serão eficazes na recuperação da percepção de valor e liquidez no longo prazo.

Onix e Tracker desvalorizam por correia a óleo? Análise
Desde o início de 2025, um dos assuntos mais comentados na indústria automotiva brasileira é a correia banhada a óleo usada nos Chevrolet Onix e Tracker. Sobram relatos de problemas relacionados ao componente, que recebeu uma chuva de críticas pela característica de se desmanchar, caso o óleo lubrificante usado no motor esteja fora das especificações de fábrica.
Mas será que o dano à imagem dos modelos extrapola os fóruns de internet causaram uma maior desvalorização dos Chevrolet Onix e Tracker no mercado? A resposta está em um estudo exclusivo de variação de preços dos dois modelos e seus principais rivais encomendado por Autoesporte e conduzido pela Indicata, empresa global especializada em análise de transações de veículos que pode processar 600 mil anúncios diariamente.
A base de dados da empresa inclui os maiores grupos de concessionárias do país, além de locadoras, lojas multimarcas e classificados online. Para o estudo encomendado por nossa reportagem, a Indicata analisou o preço médio dos anúncios das atuais gerações de Onix e Tracker e dos maiores concorrentes diretos: Volkswagen Polo e Hyundai HB20, no caso do hatch, e Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta, para o SUV.
Chevrolet Onix e Tracker: o que realmente mudou na correia banhada a óleo?
O ponto de partida para a análise foi fevereiro de 2024, antes de os relatos de falha nos modelos da General Motors ligados ao mau uso da correia começarem a se popularizar. No estudo conduzido pela Indicata, nessa época, todos os modelos apareciam com o índice de 100%. Logo, qualquer valor acima desta faixa indica valorização. Caso contrário, houve queda no preço médio dos anúncios.
Chevrolet Tracker trocou a correia banhada a óleo na linha 2026, junto com visual atualizado
Renato Durães/Autoesporte
Para tornar a comparação mais fácil, padronizamos o valor de referência para fevereiro de 2024 em R$ 150 mil para os SUVs e R$ 110 mil para os hatches. Logo de cara, é possível perceber que, enquanto os concorrentes diretos registraram valorização no mercado de seminovos, Onix e Tracker tiveram desvalorização.
A desvalorização do Chevrolet Onix
Vamos começar a destrinchar os números com o Onix. Entre fevereiro e agosto de 2024, o hatch da Chevrolet e seus concorrentes diretos apresentaram comportamento parecido: ligeira baixa nas médias dos anúncios. O HB20, inclusive, chegou a registrar queda mais acentuada que a do Onix em alguns meses. Já no segundo semestre de 2024, porém, com o caso da correia começando a se tornar mais conhecido, a desvalorização do compacto da Chevrolet começou a aumentar.
A tendência negativa permaneceu até a virada de 2024 para 2025, quando os preços do trio começaram a subir, acompanhando a valorização geral do mercado. Eis que, tão logo as queixas de proprietários de Onix relacionadas à correia banhada se tornaram mais frequentes, em abril de 2025, a curva de preço médio dos anúncios do hatch começou a despencar.
Chevrolet Onix começou a sofrer maior desvalorização a partir de abril de 2025
Renato Durães/Autoesporte
Quando Autoesporte publicou um conteúdo bastante detalhado acerca dos problemas, em maio, o hatch da Chevrolet já caía no gráfico, enquanto os rivais seguiam acumulando valorização.
Ainda considerando o preço médio hipotético de R$ 110 mil, na ocasião, a média no valor dos anúncios do acumulava alta de 7,2%, com preço médio na casa dos R$ 118 mil. O HB20, antes colado no Onix, valorizava 3,5%, com classificados perto de R$ 114 mil. Já o hatch da Chevrolet registrava variação negativa de 0,4%, pouco abaixo do índice inicial.
A desvalorização do Tracker
Comportamento similar pode ser observado com o Tracker. Considerando o mesmo princípio de que os preços iniciais, em fevereiro de 2024, mas com o preço de R$ 150 mil, representando 100%, os SUVs seguiram próximos nas variações até os últimos meses de 2024.
Em janeiro de 2025, o Tracker já acumulava perda de valor de quase 2,9%, enquanto Creta e T-Cross valorizavam 2,8% e 1,7%, respectivamente.
Chevrolet Tracker voltou a valorizar em janeiro, mas segue com desvalorização acumulada
Renato Durães/Autoesporte
Uma observação importante é que o comportamento de mercado dos três SUVs é similar nas tendências. Porém, quando houve queda nos preços, o Tracker caiu mais do que os concorrentes e demorou mais a se recuperar. A maior diferença de preços entre os três, inclusive, é recente.
Em dezembro de 2025, o Tracker acumulava desvalorização de 7,6% em relação ao período inicial. Nesse cenário, com o exemplo de preço inicial de R$ 150 mil, o valor atualizado seria de R$ 138.645. Por sua vez, Creta e T-Cross valorizaram 3% e 3,4% no período, respectivamente, com preço hipotético de R$ 154.500 para o T-Cross e R$ 155.720 para o Creta. A diferença para o Tracker chega a consideráveis R$ 17 mil.
Reação da Chevrolet
Correia banhada a óleo está mais resistente na linha 2026 de Onix e Tracker
Divulgação
A Chevrolet, claro, se mexeu. Ainda em abril, anunciou um aumento da garantia do componente para cinco anos ou 240 mil km rodados. Meses depois, ao lançar a linha 2026 de Onix e Tracker, além do visual renovado, tratou de introduzir uma correia banhada a óleo reforçada e produzida por outro fornecedor.
A ação pode ter evitado um sangramento ainda maior nas vendas de carros novos, mas não impediu que Onix e Tracker seguissem perdendo valor e se distanciando ainda mais dos concorrentes. Em janeiro de 2026, último período analisado pela Indicata, o hatch tinha anúncios médios 4% mais baixos que em fevereiro de 2024. Já o SUV acumula desvalorização de 6,9%.
Se considerarmos a inflação do período (4,83% em 2024 e 4,26% em 2025), a depreciação real é ainda maior. Mesmo com uma estabilização nos preços, Polo (9,2%), HB20 (3,9%), Creta (4,5%) e T-Cross (3,4%) seguem com variação positiva, com a do Polo representando um surpreendente ganho real em relação à inflação do período.
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Onix e Tracker estão mais difíceis de revender
Um outro estudo da Indicata, chamado de Market Day Supply, traduz a liquidez de cada modelo em um período de 45 dias. O índice é calculado a partir da divisão da quantidade de carros daquele modelo nos estoques das lojas pelas transações envolvendo aquele mesmo veículo nos 45 dias anteriores.
O resultado é um número, que, idealmente, deve ser igual ou inferior a 40. Quanto maior o MDS de um carro, mais tempo ele costuma ficar em estoque e difícil é vendê-lo pelo preço considerado ideal, exigindo promoções ou rebaixas para desovar os estoques.
Segundo estudo da Indicata, está mais difícil de vender Onix e Tracker
Lucas Cardoso/Autoesporte
Logo, o Market Day Suply, ou MDS, ajuda os lojistas a precificar carros usados que chegam às lojas, além de servir como um guia na hora de negociar um preço melhor ou dispensar determinados modelos, reduzindo riscos de prejuízo.
Em janeiro, o MDS médio do Chevrolet Onix é 57, contra 50 do Volkswagen Polo e 49 do Hyundai HB20. Mas os números já estiveram bem mais distantes do ideal. No pior momento do hatch da Chevrolet, o MDS chegou a 87, contra 66 do Polo e 22 do HB20.
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O cenário do Tracker é similar, com MDS de 59 em janeiro de 2026, já mais próximo dos 50 do Volkswagen T-Cross e 49 do Hyundai Creta. Em seu pior momento, em julho de 2025, o SUV da Chevrolet apontava MDS de 78, enquanto seus concorrentes não passavam de 53.
A aproximação do MDS de Onix e Tracker com seus rivais mostra que a dupla parece ter encontrado uma estabilização na liquidez, inclusive com queda de preços menos acentuada nos últimos meses. Mas a desvalorização sofrida ao longo do primeiro semestre de 2025 ainda não foi recuperada. O mercado deve indicar se as ações tomadas pela Chevrolet para sanar o problema da correia banhada a óleo serão efetivas do ponto de vista de depreciação dos usados.
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Fonte: Auto Esporte

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Fonte: Auto Esporte